Vou confessar: apaixonei pela série vampiresca da escritora S. Meyer e há alguns dias consegui assistir ao último filme da série toda. Mórri de emoção no final. Marido assistiu junto, parceiro, a todos os filmes, e gostou, particularmente da cena de luta final.
Agora deixa eu explicar como foi que isso começou. Acompanha aí:
- Lá pelos idos da minha primeira licença maternidade aluguei 2 filmes na locadora pensando em assistir no final de semana em que meu marido estaria fora prestando provas de um concurso em São Paulo. Um desses filmes era "Crepúsculo". Ísis, bebezona e mamona, comportou-se muito bem e mamou-dormiu o filme inteiro enquanto eu e minha irmã mais nova, que nessa época estava morando conosco, assistíamos ao vídeo legendado e no mudo, que era regra máxima lá em casa para que o Bicho não acordasse. Neura e cansaço me definiam naquela época (e hoje também, aliás!).
- Filminho mais ou menos, nem fui atrás dos livros.
- Muitos meses depois, marido aprovado num concurso público, passou 40 dias em Brasília em Curso de Formação. Eu passei 40 dias em Joinville, sozinha, doida varrida com minha pequena no auge de suas crises respiratórias, naquele esquema enlouquecedor casa-creche-trabalho-creche-padaria-casa, naquele cansaço de cuidar dela, de mim, da casa, do trabalho, naquela recém iniciada micro revolução pessoal com muitos dilemas ainda não resolvidos, muito chororô nas noites mal dormidas, muita solidão em meio à multidão. Eu precisava relaxar de algum jeito!
- Fuçando o site de uma livraria eu me deparo com uma baita promoção da série Crepúsculo. Todos os livros sairiam por pouco mais que 1 único livro. Pensei que mal não fazia, precisava de uma leitura light para aquele momento. Parcelava em 12 vezes no cartão. Comprei.
- Todas as noites depois da Ísis dormir, e todas as madrugadas depois de atender ao seu chamado, eu me deitava, acendia a luz de cabeceira e me transportava à cinzenta Forks (que me lembrava muito a nublada Joinville). Ah, como eu queria ser a Bella! Juventude, beleza e um cheiro bom que enfeitiçou o vampiro mais gato e morno do pedaço! Sem problemas relacionados à maternidade, sem a complexidade do mundo adulto! Ah, as vantagens de ser vampira! Ser gata ao extremo, forte, não sentir cansaço ou sono, viver numa casa de vidro, ser ricaça de mórrer e ainda ter para sempre 18 anos...Gente, queria sim, queria muito. Pula a parte de beber sangue.
Estes livros me acompanharam pelos 40 dias mais difíceis, mais questionadores, mais solitários, mais bucólicos, mais tudo de louco que a maternidade já me trouxe. Os dias podiam ser muito ruins - e muitas noites também -, mas ao acender minha luz de cabeceira e abrir meus livros eu voltava a ser uma menina de 18 anos, com suas dúvidas bizonhas, suas paixonites avassaladoras, seu ar sem noção e meio bobão. Então, morro de carinho por eles. É isso. E em nome do carinho e da companhia que eles me fizeram, assisti a todos os filmes, fiquei feliz com o casal Robsten, fiquei mega triste com o lance da traição, passei a ouvir a trilha sonora repetidamente no youtube...
Contado o causo, deixo o vídeo-fofura da música tema do último filme que ficou pipocando dias na minha cabeça:
E vocês? Já tiveram, na vida adulta, paixonite por livros e filmes adolescentes ou eu sou a única mãe desse nível?
:)
